Vamos criar juntos pequenos momentos diários que ampliam o autoconhecimento e cuidam da sua saúde mental, emocional e física?

“Cuide de você como nunca cuidaram
e se ame como nunca te amaram”

A proposta deste artigo é um convite à consciência:
o que você sente importa,
o que você precisa importa,
o que te faz bem importa.
Você importa!

Estou falando de autocuidado – não como algo superficial ou idealizado, mas como uma prática consciente, amorosa e possível. Pequenos gestos diários que fazem diferença não só na rotina, mas na saúde mental, emocional e física, especialmente na prevenção da exaustão emocional e do estresse crônico.

Vale lembrar que o estresse crônico sobrecarrega o sistema nervoso autônomo, mantendo o corpo em estado de alerta constante. Com o tempo, isso pode levar ao excesso de cortisol, afetar o sistema imunológico e nos deixar mais vulneráveis ao adoecimento.

Abaixo, compartilho algumas sugestões simples. Não é uma lista de obrigações, mas de possibilidades. Escolha o que fizer sentido para você, no seu tempo.

 

– Diálogo Interno:

Tudo começa aqui. Você costuma conversar consigo mesmo?

Reserve alguns minutos do seu dia para se perguntar, com curiosidade e gentileza:
“O que estou sentindo agora? O que preciso nesse momento?”
E aguarde a resposta. De verdade.

Quando ela vier, você pode aprofundar com outra pergunta. Esse diálogo pode acontecer mentalmente, mas escrever costuma ajudar – inclusive a diminuir a interferência de pensamentos intrusos.

Nomear o que sentimos é fundamental, porque só conseguimos regular aquilo que conseguimos nomear.

 

– Ao acordar:

Você costuma levantar da cama no impulso, já correndo para o dia? Talvez possamos repensar isso.

Ao acordar, antes mesmo de se levantar, experimente fazer algumas respirações lentas:
inspire pelo nariz contando até 4,
segure o ar contando até 4,
expire lentamente pelo nariz contando até 6.

Se alongue, se espreguice!

Depois, agradeça – não pelo que já aconteceu, mas pelo que você deseja viver, como se já tivesse acontecido.
Por exemplo: “Sou grata pela solução do problema X.”

Em seguida, espreguice-se, alongue-se, vire de lado, sente-se por alguns segundos… e então, levante!
É simples, mas pode mudar significativamente a forma como você atravessa o dia. Experimente!

 

– Durante o dia:

Sempre que possível, faça pequenas pausas. Dez minutos já são suficientes para alongar o corpo e repetir algumas respirações conscientes, como as da manhã.

Se surgir a ideia de que isso é perda de tempo ou que vai te atrasar, observe: geralmente é justamente o contrário.

 

Atividades que podem entrar ou permanecer na sua rotina:

Psicoterapia ou análise, meditação, mindfulness, yoga, dança, exercício físico, caminhada, contato com a natureza (abraçar uma árvore, andar na grama, na terra ou na areia), cuidar de plantas, ler, ter um hobby – ou simplesmente não fazer nada.

Se você já faz algo disso, celebre e continue.
Se não faz, escolha uma possibilidade – apenas uma – e comece.

Conta pra mim nos comentários: qual desses cuidados já faz parte da sua vida hoje?

Para os próximos exercícios, é importante que você tenha um ou mais cadernos para anotações. Eles não precisam ser sofisticados. O mais importante é que se tornem um espaço seguro de escuta, registro e cuidado consigo mesmo.

 

– Diário da Gratidão:

Separe um caderno apenas para esse fim.
Todos os dias, escreva 10 coisas, situações ou experiências pelas quais você se sente grato!

Inclua também aquilo que parece óbvio, mas que, se faltasse, faria muita diferença!

Por exemplo: o abraço que acolheu você, a comida que sustenta seu corpo, a cama onde descansa, o chuveiro quente, a casa onde mora, o dinheiro que paga suas contas, sua visão – que permite estar lendo este artigo -, sua saúde, entre tantas outras coisas.

Esse exercício ajuda seu sistema nervoso a ampliar o foco para além das ameaças e a reconhecer sinais de segurança presentes no cotidiano. Ainda ativa neurotransmissores como dopamina, ocitocina, e também reduz o cortisol.

 

– Celebre/comemore, sempre!

Escreva cada conquista, por menor que ela pareça.
Celebrar/comemorar é reconhecer – uma de nossas necessidades emocionais básicas é o reconhecimento.

O quanto você reconhece o que faz? Geralmente quem não recebeu reconhecimento na infância, sente mais dificuldade de reconhecer o que faz!

Lembre-se de duas verdades:

Tendemos a nos tratar como fomos tratados!

E o cérebro repete o que é familiar, sendo ou não saudável!

Por isso, se você…

Conseguiu realizar algo que estava adiando há muito tempo? Celebre!
Conseguiu dizer “não” para alguém que não respeita seus limites? Celebre!

Conseguiu organizar uma gaveta do armário? Celebre!

Conseguiu (re)começar algum tipo de atividade física? Celebre!

Começou a colocar em prática o autocuidado? Celebre!

Muitas pessoas aprenderam, ainda na infância, a valorizar apenas grandes conquistas – especialmente se cresceram com pais muito exigentes.
No entanto, são as pequenas conquistas do dia a dia, somadas ao longo do tempo, que realmente constroem mudança, autonomia, confiança, autoestima e competência. E fazem toda diferença!

E qual a diferença entre a gratidão e a celebração?

A gratidão é o sentimento interno de reconhecimento e apreciação pelo que acontece. É quando você reconhece o valor do que recebeu ou aconteceu, incluindo os aprendizados.

É o sentir!

A celebração é a manifestação da gratidão. É comemorar!

 

– Arquivo de Elogios:

Aqui, você vai registrar todas as palavras gentis que já lhe disseram.

Podem ser palavras de reconhecimento, validação, respeito, perdão, gratidão, carinho, apoio. São aquelas palavras ou frases que, muitas vezes, ouvimos, mas esquecemos poucos minutos depois.

Releia esse arquivo sempre que duvidar do seu valor.
Ele alimenta sua alma, fortalece sua autoconfiança e ajuda a construir uma relação mais consciente consigo mesmo!

Percebe que o autocuidado não precisa ser complexo nem grandioso? Esses pequenos exercícios podem ser feitos sem que você altere sua rotina! Mas irão ajudar seu sistema nervoso a perceber que há recursos, apoio e segurança no presente, ajudando seu corpo a sair do estado constante de alerta.

Agora, vamos aprofundar esse cuidado, ampliando a escuta emocional, criando espaço interno de acolhimento, memória afetiva e principalmente reconexão consigo mesmo.

 

– Momentos que te fizeram sorrir:

E que podem fazer você sorrir novamente ao relembrá-los!

Escreva momentos de alegria, bem-estar e satisfação que você viveu em qualquer fase da vida.
Sabe aqueles momentos simples e inesperados que provocam um sorriso espontâneo ou uma boa gargalhada?

Talvez o sorriso de um desconhecido na rua, alguém que segurou a porta para você passar, uma criança brincando alegremente, uma música que marcou sua adolescência, uma mensagem carinhosa recebida, os primeiros sorrisos de seu filho, a alegria do seu pet quando você chega em casa ou aquele abraço cheio de afeto de uma amiga.

Você pode resgatar esses momentos com a ajuda de fotos antigas – não para despertar tristeza ou nostalgia, mas para lembrar quanta coisa boa você viveu!

Observe agora seu rosto.
Provavelmente, um leve sorriso apareceu!

E lembre-se: você também pode criar novos momentos que façam você sorrir.
Ouça músicas que te alegram. Qual música te faz bem? Anote agora para não esquecer! Quando puder, ouça, cante, dance!
Assista a uma boa comédia!
Converse com aquela amiga divertida!
Dance com seu pet!

Qual desses pequenos momentos você escolhe começar hoje?

 

– Diário de Emoções:

Separe um caderno para registrar suas emoções ao longo do dia.

Aqui, o foco não é julgar, criticar, explicar ou corrigir o que você sente, mas perceber e nomear.
Muitas pessoas aprenderam a ignorar ou silenciar as próprias emoções como forma de sobrevivência. Este diário é um convite para fazer o caminho inverso: escutar-se!

Você pode escrever:

  • Como está se sentindo naquele momento, praticando o diálogo interno
  • O que aconteceu antes daquela emoção surgir
  • Onde percebe essa emoção no corpo
  • Se a intensidade é leve, média ou alta

Não é necessário escrever todos os dias nem preencher páginas inteiras. Às vezes, poucas palavras já são suficientes. Você também pode colar imagens, fotos.

Nomear emoções ajuda o sistema nervoso a se organizar.
Quando você reconhece o que sente, cria mais espaço interno para acolhimento, clareza e autorregulação.

Se em algum dia perceber emoções difíceis, lembre-se: sentir não é fraqueza, é informação.
E toda emoção, quando escutada com gentileza, tende a se transformar!

Neste caderno, escreva tudo aquilo que vem do seu coração e, muitas vezes, não encontra espaço no dia a dia.

Podem ser pensamentos, sentimentos, medos, desejos, perguntas, saudades, sonhos ou reflexões.
Não precisa fazer sentido, não precisa ser bonito, não precisa ser correto – apenas verdadeiro.

Escrever é uma forma de escuta interna.
Quando você se permite colocar no papel o que sente, cria um espaço seguro de acolhimento dentro de si.

Volte a essas notas sempre que precisar se reconectar com quem você é, com o que sente e com o que precisa!

 

– Notas do Coração:

Aqui você vai registrar citações que te emocionaram: passagens de livros, trechos de músicas, conversas, frases ditas por alguém querido, insights ou pensamentos que tocaram você de alguma forma e que não quer esquecer.

Essas palavras costumam chegar em momentos importantes e, muitas vezes, dizem exatamente o que precisamos ouvir naquele instante.
Ao registrá-las, você cria um espaço para revisitá-las sempre que precisar de acolhimento, inspiração ou lembrança de quem você é.

Volte a essas notas nos dias difíceis.
Elas funcionam como pequenas âncoras emocionais, capazes de aquecer o coração e fortalecer sua conexão consigo mesmo.

 

– Momentos que te fizeram sorrir:

E que podem fazer você sorrir novamente ao relembrá-los!

Escreva momentos de alegria, bem-estar e satisfação que você já viveu em qualquer fase da vida.
Sabe aqueles momentos simples e inesperados que provocam um sorriso espontâneo ou uma boa gargalhada?

Talvez o sorriso de um desconhecido na rua, alguém que segurou a porta para você passar, uma criança brincando alegremente, uma música que marcou sua adolescência, uma mensagem carinhosa recebida, os primeiros sorrisos de seu filho, a alegria do seu pet quando você chega em casa ou aquele abraço cheio de afeto de uma amiga.

Você pode resgatar esses momentos com a ajuda de fotos antigas – não para despertar tristeza ou nostalgia, mas para lembrar quanta coisa boa você já viveu!

Observe agora seu rosto.
Provavelmente, um leve sorriso já apareceu!

E lembre-se: você também pode criar novos momentos que façam você sorrir.
Ouça músicas que te alegram. Qual música te faz bem? Anote agora para não esquecer! Quando puder, ouça, cante, dance!
Assista a uma boa comédia!
Converse com aquela amiga divertida!
Dance com seu pet!

Qual desses pequenos momentos você escolhe começar hoje?

Autocuidado não é luxo, não é recompensa e não é algo que só acontece quando sobra tempo. Autocuidado é uma prática cotidiana de escuta, acolhimento, presença e cuidado com o próprio sistema nervoso. É sair do automático!

Cada pequeno momento que você cria – ao escrever, celebrar, agradecer, lembrar, sorrir ou sentir – envia ao seu corpo a mensagem de que há segurança suficiente para pausar, respirar e se reorganizar. Sim, VOCÊ é capaz de se proteger, se cuidar!

Para quem viveu experiências difíceis, especialmente na infância, o corpo pode ter aprendido a se manter sempre em defesa. Por isso, autocuidado começa pequeno, repetido e possível.

Não é sobre fazer muito, nem fazer tudo, e menos ainda fazer perfeito, é principalmente reavaliar como você tem se cuidado, e escolher, todos os dias, um pequeno momento para estar consigo mesmo!

E é nesse encontro diário que o autocuidado deixa de ser apenas uma ideia – e se transforma na prática do amor-próprio. Que você possa se amar, todos os dias, um pouquinho mais!