Superproteção Infantil

Superproteção Infantil

 

A ciência começa a voltar sua atenção para os efeitos da superproteção no comportamento de crianças e adolescentes. Dificilmente pais ou adultos que foram superprotegidos quando criança percebem a superproteção como abuso emocional.

A superproteção infantil é uma forma exagerada de cuidados e proteção em situações vistas como “perigosas” pelos pais, que desejam sempre estar por perto, de modo a evitar qualquer sofrimento ou decepção do filho. Há uma necessidade quase obsessiva de ter cada aspecto da vida da criança sob controle. Esperam ainda, que o comportamento do seu filho seja perfeito (perfeito na visão dos pais) e, com isso, exercem controle excessivo sobre ele. Alguns pais tomam todas as decisões, escolhem suas atividades, seus companheiros, suas roupas, em idade que a criança poderia ter suas próprias escolhas. E sempre com o pretexto: “é para o seu próprio bem”.

Para os pais superprotetores, alguns espirros são suficientes para cobrir a criança com medicamentos, dos quais já possuem uma lista pronta. Restringem a liberdade da criança, não a deixam sair de casa, porque pode sujar a roupa nova, não pode brincar, não pode correr, não pode ir à casa de outras crianças. Ou seja, a criança não pode fazer nada, não pode ser criança.

Alegando medo de acidentes, lesões ou doenças, comprometem o desenvolvimento da criança por medo do sofrimento, que pode até trazer benefícios em curto prazo, mas num período de tempo mais extenso, as consequências podem ser desastrosas e aparecer em qualquer idade.

Pais superprotetores podem ser tão prejudiciais para a formação emocional de seus filhos, quanto os pais negligentes. Há um limite entre a preocupação aceitável e a excessiva. Pais que adotam para si e para seus filhos esse tipo de estratégia ignoram uma peça-chave do desenvolvimento humano: a autonomia.

A superproteção dos filhos é uma forma errada de educar, além de ter consequências negativas. Proteger sim, superproteger jamais. E uma coisa é bem diferente da outra, apesar de muitos pais entenderem como absolutamente iguais.

Há até uma metáfora muito utilizada nos Estados Unidos para caracterizar os pais superprotetores: “helicóptero”. Com a hélice sempre girando, a aeronave sobrevoa o território incessantemente. A qualquer sinal de perigo na terra, ela está pronta para pousar e prestar socorro.

A tentativa de superproteger o filho não é garantia de que está sendo oferecido o melhor para ele. Ao contrário, a criança superprotegida, na maioria das vezes, se torna dependente e passiva, socialmente tímida e emocionalmente imatura.

Crianças de zero a seis anos superprotegidas tendem a apresentar timidez e tornarem-se egoístas. De sete até a adolescência, podem surgir agressividade e dificuldade em demonstrar sentimentos. Após dezoito anos em diante, muita insegurança, egoísmo e dificuldade de relacionamento.

 

Superproteção

A superproteção passa a mensagem de que a criança não é capaz de resolver as coisas por si mesma e que dependerá sempre dos pais para dar suporte e auxílio. Sendo assim, como poderá uma criança crescer e chegar a vida adulta, acreditando em si mesma? Nenhum comportamento que gera dependência poderá produzir confiança.

Estudos mostram que crianças com pais superprotetores podem ter comprometimento no crescimento normal do seu cérebro e serem mais suscetíveis a doenças associadas com defeitos no córtex pré-frontal (área desenvolvida na parte frontal do cérebro que desempenha um papel nas funções executivas tais como julgamento, tomada de decisão e resolução de problemas, bem como o controle emocional e memória).

Para investigar essa conexão, cientistas analisaram os cérebros de cinquenta pessoas com cerca de vinte anos, e então pediram para que elas respondessem a questões relativas ao relacionamento com seus pais durante os seus primeiros 16 anos de idade. Os participantes deveriam analisar o relacionamento com seus pais com respostas do tipo “não queria que eu crescesse, tentava controlar tudo o que eu fazia ou tentava me tornar dependente dele/dela”.

Os cientistas descobriram que os filhos de pais superprotetores tinham excesso do hormônio do stress (cortisol) e a falta do hormônio da felicidade (dopamina), que prejudica o desenvolvimento cerebral. Outros estudos indicam que adultos com Transtorno do Pânico percebem seus pais como controladores e menos afetivos.

O mais sério de tudo isso, é que alguns pais, inconscientemente, numa tentativa de encobrir sua falta de amor – o que é muito comum, por mais assustador que seja para alguns – declaram muitas vezes seu amor pelos filhos de forma repetitiva e mecânica, como se precisassem provar para si mesmos o amor que sentem, e as crianças sentem que suas palavras não condizem aos verdadeiros sentimentos e/ou comportamentos, podendo gerar uma busca desesperada por esse amor, cuja busca pode se estender durante toda a vida. O adulto que foi superprotegido quando criança tende a sentir que nada preenche suas necessidades emocionais, porque na verdade, não as sentiu supridas desde muito pequeno.

É como se os pais dissessem constantemente aos filhos que eles são incapazes. A superproteção pode ser causa de um falso sentimento de culpa, porém essa aparente ajuda aos filhos é muito danosa para eles, porque transmite a mensagem de que são incapazes e irresponsáveis, fazendo com que estes, inconsciente, e incessantemente, desejem provar o quanto são capazes.

O raciocínio do inconsciente da criança que tem pais que demonstram de modo desesperador seu amor seria: “se seu amor fosse verdadeiro, não haveria a necessidade de demonstrar tanto amor”.

Mas nem sempre a superproteção dos pais é uma demonstração de falta de amor legítimo, mas o fato de “sufocar” a criança na ânsia de demonstrar o amor que sentem por ela, pode causar as mesmas consequências que o abandono. Pais superprotetores, na ânsia de proteger a criança, fazem tudo por ela, que crescem com a sensação que são incapazes e com muita dificuldade em enfrentar o mundo e as frustrações que a vida apresenta. Com isso, também abandonam sua verdadeira essência na intenção de agradar a esses pais.

Se você teve pais muito controladores, você pode ter se tornado um adulto teimoso. Teimosia é um mecanismo de defesa que as crianças adotam para escapar da vontade de seus superprotetores. Quando crescerem, provavelmente carregarão esse comportamento para a fase adulta.

Superproteger é impedir a criança de experimentar realizações. É dizer, numa linguagem não verbal: “não confio em sua capacidade”. É atestar sua incompetência. A presença dos pais para satisfazer o filho em seus mínimos desejos, torna a criança despreparada para o cotidiano da vida.

Do momento em que um bebê nasce até a hora em que ele entra na faculdade ou sai de casa, a questão central de sua existência é conquistar independência. Tirar isso de um filho pode ser uma viagem sem volta. Muitos se tornam adolescentes rebeldes além do aceitável, um atalho para que se tornem adultos muito frustrados. E pais desesperados!

 

Filho

 

A superproteção deve começar com uma análise do comportamento dos pais. Superprotegem por que? O que sentem se assim não o fizerem? Pais superprotetores excedem os cuidados por não acreditarem na própria capacidade que têm de educar. Temem que seus filhos deixem de amá-los, esforçam-se para não fracassar em sua educação e têm pavor de ser julgados por parentes e amigos.

  • Perfil dos pais superprotetores:
    – amorosos e bem intencionados;
    – controladores;
    – excessivamente preocupados;
    – cuidado e proteção exagerada;
    – inseguros e ansiosos;
    – exigentes;
    – mães que se culpam por trabalhar e buscam compensar a falta de tempo com excesso de zelo;
    – temem que seus filhos deixem de amá-los, e se esforçam para não fracassar em sua educação e têm pavor de serem julgados por parentes e amigos;
    – percebem seus filhos como eternas crianças, que nunca crescem, e são eternamente ingênuos;
    – por medo de que o filho sofra qualquer violência faz com o que o monitoramento seja demasiado;
    – ficam de plantão o tempo todo para que nenhuma ameaça se aproxime daquele ser “indefeso”;
    – tendem a se antecipar e evitar o perigo ou que passe por dificuldades e frustrações;
    – sempre atentos para resolver qualquer problema do filho.

 

  • Consequências da superproteção infantil na vida adulta:
    – baixa autoestima;
    – dependência emocional;
    – insegurança;
    – imatura emocionalmente;
    – baixa empatia;
    – baixa tolerância à frustração;
    – passividade;
    – hipervigilância, dores musculares, em função da tensão intensa;
    – dificuldade em tomar decisões e fazer escolhas por si mesmo;
    – culpa frequente, porque acredita estar sempre errado;
    – teimosia;
    – medo intenso de estar exposto, de errar, com o primeiro obstáculo desiste do que deseja;
    – demora mais tempo para sair de casa, começar a trabalhar e formar uma família;
    – falta de iniciativa, autonomia;
    – timidez, isolamento, dificuldade de se relacionar com estranhos e fazer novos amigos;
    – ansiedade intensa em todas as situações em que há necessidade de se expor;
    – relação complicada com os pais, podendo sentir raiva, culpando-os pela frustração que sente ao se sentir incapaz de fazer qualquer coisa sozinho. Um filho excessivamente controlado por seus pais pode, em algum momento, revoltar-se contra eles;
    – pode se mostrar egoísta, individualista;
    – predomínio de pensamentos negativos;
    – tendência a desenvolver alergias, asma;
    – depressão.

“Dê a quem você Ama :
– Asas para voar…
– Raízes para voltar…
– Motivos para ficar… “
Dalai Lama

 

O vídeo Ex-Et, abaixo, mostra claramente o que muitos adultos faz com a liberdade, espontaneidade e alegria de uma criança, e tudo isso sob o argumento: “é para seu próprio bem”. Será que é para o bem da criança ou dos próprios pais? Assim, perdemos nossa criatividade e nos afastamos de nossa essência!!
Uma reflexão sobre a educação. Ou será “deformação” com disse Alice Miller?

  • Assistir vídeo – 8 minutos

 

Filme que aborda o tema:
  • Simples Como Amar
    Esta comédia divertida e bem humorada apresenta performances brilhantes de Juliette Lewis (Cabo do Medo), Diane Keaton (As Filhas de Marvin) e Tom Skerritt (Contato) em um maravilhoso elenco de estrelas. Mesmo que Carla (Lewis) tenha crescido, superado suas dificuldades e se tornado capaz, sua mãe (Keaton), uma mulher nervosa e superprotetora fica em estado de choque quando a jovem declara estar apaixonada pela primeira vez. No momento em que Carla e seu namorado (Giovanni Ribisi – O Resgate do Soldado Ryan) experimentam o delicioso sabor das grandes aventuras da vida, eles também provam que Carla conquistou sua tão esperada independência. Dirigido pelo aclamado Garry Marshall (Uma Linda Mulher/Noiva em Fuga).
  • Assistir filme – 1h44 minutos