Biografia Alice Miller

Biografia de Alice Miller

 

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Aprofundar-se na psicologia de Alice Miller é imprescindível para todos que foram abusados quando crianças. Sem dúvida, seus livros podem ser altamente libertadores para quem sofreu algum tipo de abuso na infância. Mas também para todos os profissionais: professores, educadores, psicólogos, pedagogos, psiquiatras, enfim, todos que sabem da importância do que acontece nos primeiros anos de vida. Só assim iremos conseguir aos poucos que essa educação “falida”, que ela chama sabiamente de deformação, NÃO continue a ser perpetuada de geração em geração, pela compulsão à repetição.

Nós podemos mudar esse quadro pela consciência, pela informação e atualização de crenças já ultrapassadas. E os livros de Alice Miller nos ajuda, e muito, nesse processo. Miller foi a primeira pessoa a fazer a conexão entre os castigos corporais e os danos potenciais que ele pode fazer para as crianças. Escreveu 13 livros, que foram traduzidos em trinta idiomas.

Miller nasceu em 1923 na Polônia em uma família de ascendência judaica e, como jovem viveu em Varsóvia, onde sobreviveu a Segunda Guerra Mundial. Em 1953 ela ganhou seu doutorado em filosofia, psicologia e sociologia na Universidade de Basel na Suíça e completou sua formação psicanalítica em Zurique. Estudou e praticou a psicanálise por mais de 20 anos.

Alice Miller buscou compreender a dor humana a partir de um princípio único, o Trauma da Infância. Acreditava que seus pacientes, quando contavam cenas de suas infâncias em que envolviam maus-tratos, violência, abuso sexual e outros tantos relatos de sentimentos de humilhação e culpa, de fato havia nessas lembranças possibilidade de sobrevivência. E podemos sim nos libertar das consequências dos maus-tratos quando conseguimos enfrentar a verdade de nossa infância.

O fato marcante citado pela autora é que o adulto abusado na infância, impulsionado pelo trauma é tomado pela compulsão à repetição, e que Miller dá o nome de “lógica do absurdo”. Ela dizia que ainda vemos analistas incapazes de acompanhar as dores de seus pacientes, simplesmente por não suportarem, eles mesmos, atravessar por este “corredor do inferno”.

Todos sabem que temos que fazer muito esforço para alcançar lembranças “proibidas de serem lembradas”, pois é isso que sempre aprendemos: “não lembre, não pense no passado”, mas muitas pessoas parecem não perceber o quanto o passado insiste em se fazer presente enquanto não o confrontamos. E enquanto não buscamos a dor original, o corpo sabiamente faz essa dor se fazer presente através de sintomas e/ou doenças, como ela demonstra perfeitamente em seu livro A Revolta do Corpo, seu último lançamento no Brasil em 2011.

Miller afirmava que todas as crianças, mesmo as mais maltratadas, sentem a necessidade, ou a ilusão, de ser amada. Mas os adultos podem desistir dessa ilusão, se não quiserem pagar com uma depressão por isso.

Para que uma criança se desenvolva naturalmente, ela precisa de respeito de seus cuidadores, a tolerância para seus sentimentos, a consciência de suas necessidades e sensibilidades, e autenticidade por parte dos seus pais. Através do conhecimento da nossa história e nossos sentimentos, podemos conhecer a pessoa que somos, e aprendemos a dar-lhes o que de vital necessidade, mas nunca recebeu dos seus pais: amor e respeito.

Como psicanalista, ela concluiu em 1985: “Durante vinte anos, eu observei as pessoas que negam seus traumas de infância, idealizando seus pais e que resistem a verdade sobre sua infância, por qualquer meio”.

Foi recomendada a se desligar da Associação Psicanalítica Internacional de Berlim por não seguir os dogmas implantados pela doutrina freudiana.

Em 1979, Miller parou de atender como psicanalista, e tornou-se crítica de Freud e Carl Jung, e estreou como escritora lançando o livro publicado na Alemanha, O Drama da Criança Bem Dotada. Em 1986, ela foi premiada com o Janusz Korczak Prêmio Literário.

Miller teve dois filhos. Entre 2005 e sua morte em 2010, ela respondeu alguns de leitores em seu site, onde também há artigos publicados, panfletos e entrevistas em três idiomas.

Miller morreu em 14 de abril de 2010, em sua casa em Saint-Rémy de Provence, na França, aos seus 88 anos de idade.

Se quiser ler um pouco mais sobre Alice Miller entre em seu site onde há muito conteúdo: